27/01/2006

teste de vídeo

este é um vídeo de teste



Escrito por gb às 12h25
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26/08/2005

Weblogs e Jornalismo

Amanhã, às 11h, tem mais um Trópico na Pinacoteca.
Discutiremos blogs e jornalismo. Nelson de Sá, Esther Hamburger e eu.
Quem somos e o que é Trópico na Pinacoteca? Confira aqui.
De resto, a notícia já correu a blogosfera, conforme noticiou A Primeira Vítima com Bruna Skatistinha.



Escrito por gb às 18h50
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15/08/2005

Dia do Blog

Dia 31 de agosto é o dia mundial dos Blogs.
Todos os bloguers do planeta estão convidados a participar.
Trata-se de um web-evento que pretende revelar as faces mais legais da blogcultura.
Organizado por Nir Ofir, o Blog day 2005 vai permitir que no dia 31 de agosto internautas do mundo todo enviem seus cinco blogs favoritos para um wikispace que abriga o projeto.
Prepare seus bookmarks e saiba como participar, acessando: http://blogday.wikispaces.org/

Escrito por gb às 19h06
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20/07/2005

agendas

Nessa lamaceira que vem sendo remexida todos os dias, entre sonegadores de impostos e caixas 2, uma coisa tem me chamado a atenção.

Essas pessoas que se penduram nos órgãos públicos, direta e indiretamente, são não só completamente avessas a Palms e afins, mas arquivistas compulsivas.

A quantidade de agendas velhas que desfilaram ultimamente pelas telas de TV e páginas da imprensa é incontável!

Você que paga seus impostos, não recebe mensalão, não tem empresa-laranja associada para fazer contrabando, guarda suas agendas? Por quanto tempo?



Escrito por gb às 17h08
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06/04/2005

1 MacMcluhan e 2 cocas

McLuhan virou uma espécie de quarteirão com queijo da história das mídias.
Todo mundo acha que sabe o que é, mas não prova, não consome e não escolhe.
Na hora do xeque mate, sempre tem um Big Mac no caminho. E já que a definição e o gosto (supostamente) todos conhecem, não é preciso se dar o trabalho de digerir para ter opinião a respeito.

Assim, as frases primorosas de Mcluhan, um mestre da palavra escrita -- que ele, tão paradoxalmente, embalsamou -- tornaram-se slogans vazios repetidos a esmo.

Quem nunca se arrogou o direito de usar a frase "O meio é a mensagem" sem nunca ter lido Understading media: The Extensions of Man? Quem?!

Poucos.

E entre esses que passam os olhos sobre essas mal digitadas linhas, menos, ou "nenhuns".

Contudo, "O meio é a mensagem" é o nome de um capítulo de um livro de Sir McLuhan.

Ali alguns paradoxos da teoria crítica sobre arte e novas mídias estão postos:



1) A suposição que as mídias são extensões do homem
(Isso é rídiculo numa era em que vivemos sob o signo do projeto genôma e podemos ser livres do atavismo biológico. Não temos extensões na mídia. Já entramos em acordo com elas e vamos decidir juntas o que fazer).

2) Não suporto, também, a confusão entre mídia e tencologia.
A idéia estapafúrdia de que a eletricidade é uma mídia sem mensagem é um equívoco. Uma coisa é força motriz, outra, a energia produtiva...(Contudo, falar que a Internet é uma mídia sem mensagem porque é pura informação, é tudo para calibrar a tese/hipótese: A INTERFACE É A MENSAGEM (aos berros, aos berros)

3) É sensacional a discussão sobre o rídiculo da clivagem conteúdo/forma. O conteúdo, no tempo da cultura das mídias, é capacidade de criar outro meio no meio (outra mídia na mídia). Cada filme é um filme e só os que são outros filmes dentro do filme tornam-se cinema. (Godard que o diga). E isso vale para Internet, DVD etc...

4) Lição essencial de Sir McLuhan: O estudo de mídias só pode ser feito levando-se em conta
a) o conteúdo
b) o próprio meio (ou a própria mídia)
c) a matriz cultural em que o meio atua

5) É discutível e fundamental a polêmica sobre o meio se tornar mensagem em um contexto histórico determinado em que os segmentos especializados deslocaram-se para o campo total. Nesse contexto, according to Mr. Mcluhan o sequencial cede ao simultâneo e o linear cede à configuração (essa idéia e de GÊNIO com todas as letras em CapsLock)

6) Mas aí vem a abobrinha fundamental, pedra angular de toda crítica que ignora as fundamentais considerações dos itens 3 e 4: O efeito dos meios não se dá nas opiniões, mas nas formas de percepção.

E quem se importa com efeitos? (quem raciocina por leis mecânicas, of course. Ou seja: de causa e efeito...)
E quem pensa a percepção sem pensar, simultanea e em "layersmente", em opinião? (quem privilegia os fins sobre os meios...)

Ai, ai, Mr MacMcluhan... Como o sr. se sente quanto é "citado" em teses universitárias como MacLuhan?



Escrito por gb às 23h34
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30/03/2005

as teses de lovejoy

margot lovejoy é professora da SUNY (Purchase), ex-bolsista da Fundação Guggenheim, foi uma das artistas convidadas da última bienal do whitney e do alto de seus 70 anos acabou de lançar "digital currents: art in the electronic age" (londres, routledge).

no capítulo 6, defende a idéia que a arte on line só pode ser entendida no campo da comunicação. defende vários outros pontos de vistas originais, confrontando todos com projetos realizados por artistas de procedências diversas.

aqui vão algumas das "máximas de lovejoy". concordo com várias, discordo de outras. aguardo os pontos de vista de vcs para me manifestar depois...

1) o computador esmigalhou as noções de representação visual clássicas. ele não sofre impressão da realidade, mas constrói a  visualidade a partir de dados que são informações codificadas sobre a estrutura daquilo que modela.

2) a internet é um novo espaço público dialógico

3) na internet contexto e conteúdo se implicam o tempo todo e muitas vezes o conteúdo é o próprio contexto.

3b) isso faz com que no contexto da web arte ocorrra uma inversão: é a obra que tem que ir em direção ao sujeito e não o contrário, como ocorre com as artes off line.

3c) o resultado disso é uma bomba epistemológica: o que vale é o agenciamento (ou a capacidade de agenciamento. não o conceito, nem a originalidade)

4) a internet é pós-moderna

5) browsear = mapear

6) um dos maiores problemas da internet é que tudo só pode ser acessado via monitores que chapam o conteúdo. os outros são o teclado, o mouse e as bandas.

7) as primeiras experiências com telecomunicação e arte, desde o fim dos anos 70, já apontavam uma característica da web arte: a confusão entre a noção de lugar, a noção de texto e a noção de imagem. (vide Ascott, Kit Galloway/ Sherrie Rabinowicz)

8) na internet, arte = comunicação e o artista = mediador. (vide ponto 3c)

9) a mail art não é avó da web arte, pois não permite interferência de multiusuários, nem é aberta.

10) uma coisa peculiar ao cyberspace é que nele prevalece a experiência da invisibilidade do público. por isso a fantasia passa a ser o pré-requisito da representação.

11) mas essa constatação não consegue desfazer a dúvida: será que a web arte é capaz de chamar a atenção dos internautas que transitam por milhares de sites diversificados? ou mais diretamente: por que a web arte não consegue encontrar público on line?

12) a internet, a despeito de todas as utopias e especificidades, não estaria cada dia mais parecida com a horizontalidade e homogeneidade da televisão?

 



Escrito por gb às 18h08
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17/03/2005

Mídia Tática

Polêmicas não faltam na hora de definir o que é mídia tática.

Gosto da definição do Alex Galloway em Protocol - How Control Exists After Decentralization (The MIT Press 2004, 248 páginas, ISBN 0262072475). É o uso da mídia e de seu potencial até o seu limite extremo. Uma incorporação intencional do seus protocolos, em um nível tão radical, que leva à própria quebra desses protocolos. Os hackers, para Galloway, são, por isso, protagonistas desse processo.

Mas, dentro dessa perspectiva, é inevitável não lembrar da célebre transmissão radiofônica da Guerra dos Mundos feita por Orson Welles em 1938, de seu Cidadão Kane e do também seu Verdades e Mentiras...

Enquanto ia pensando nessas coisas, milena szafir, do mm-naoehconfete, uma dupla genial de videohacktivismo (sei lá de onde saiu essa definição que montei agora) mandou um e-mail hilário para uma lista que assino, com um site que é uma senhora aula sobre mídia tática.

Acesse o sanduicheicheiche e entenda o que é mídia tática ou, no mínimo, "pq.  o brasileiro repete, repete, repete, repete, repete (...) orgulho de ser brasileiro-eiro!"
http://www.sanduicheiche.rg3.net/

Ou não faça nada disso, mas divirta-se com a "cultura remix da nossa brava tv brasileira"



Escrito por gb às 16h26
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11/02/2005

Arte Wireless


Vc pode fazer isso com sua fotos e um celular com câmera no seu PC. Baixe o programa aqui.*

O contexto wireless é muito diferente do da internet fixa, pois ele já nasceu corporativo (ao contrário da internet, na qual as empresas se ligaram posteriormente). Ele é inteiramente mediado por operadoras e fabricantes.

Nesse sentido, se a arte wireless faz repensar novos contextos de circulação e recepção, por outro remete às relações entre criadores independentes e demandas corporativas, sejam elas as das operadoras de telefonia móvel, dos fabricantes de equipamentos ou de ambas, em ações conjuntas, mesmo quando os projetos não envolvem relações diretas de patrocínio.

Do ponto de vista institucional, desenha-se uma situação complexa para o artista que deseja usar o celular como um novo meio/ferramenta para suas obras, sem abrir mão de sua liberdade de crítica, especialmente para aqueles que trabalham com temáticas mais "militantes" e anticorporação.

Essa aliás foi uma questão recorrente da produção da mostra Life Goes Mobile realizada durante o sónarsound, com patrocínio da Nokia Trends. A curadoria de Lucas Bambozzi garantiu não só a exploração criativa dos recursos, mas uma aguda problematização crítica das condições de realização dos projetos.

Um raciocínio simplista poderia concluir aí: arte e cultura não podem ser produzidas com perspectivas críticas nesses moldes. Contudo, é preciso levar em conta duas nuances essenciais, a fim de não rimar “militância com ignorância”.

Lembrar que o campo estrutural da ciberpolítica hoje não é questionamento da marca ou do produto em si, mas dos sistemas operacionais e o tipo de codificação dos programas utilizados (aberta ou fechada) e, acima de tudo, a crítica dos meios de realização do projeto.

Isso pode criar a possibilidade de a criação não se tornar refém de uma marca, contudo não indica meios para lidar com a paradoxal situação que a arte wireless remete, seja ela para ou com dispositivos móveis. Trata-se de uma arte que é disponibilizada ou mediada por equipamentos que servem a "n" funções -tocar música, ver vídeo, acessar a conta bancária, conferir agenda, falar- e que são utilizados quando estamos envolvidos em mais de uma ação -pedindo a conta no restaurante e usando o celular, por exemplo.

Instrumentos especialmente desenvolvidos para a adequação a situações de trânsito e deslocamento, os dispositivos de comunicação móvel são ferramentas de adaptação a um universo urbano de contínua aceleração, em condições entrópicas, onde o leitor/interator está sempre envolvido em mais de uma atividade, relacionando-se com mais de um dispositivo e desempenhando tarefas múltiplas e não-correlatas.

Daí a arte wireless, nos obrigar a interrogar: como relacionar-se com esse limites corporativos, incorporando-os criticamente aos projetos? Como se relacionar com esse novo olhar, pautado pela dispersão e distribuição e fazer uma arte para ser experimentada "entre" outras coisas, sem recair na fetichização dos meios, maquiando sua natureza essencial de objetos recicláveis, justificados pelas saturação e apagamento das particularidades?

Confira vários links de projetos arte wireless e uma discussão aprofundada do assunto na revista Trópico.

* A foto acima é de Helga Stein. Retrata meu projeto Code_me_UP no Life Goes Mobile, sónarsound SP Instituto Tomie Ohtake
e é parte de //**Code_UP, atualmente no ZKM (Museu de Arte e Mídia, Karlsruhe, Alemanha). Vai estar presente no ToShare.it (Palacio Cavour, Torino, de 24/02 a 1º/03)



Escrito por gb às 07h15
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28/01/2005

Café e Cigarros

coffee and cigarettes
Iggy Pop e Tom Waits em cena de Café e Cigarros

Fui ver "Café e Cigarros" (2003) do Jim Jarmusch. É a cara dos anos 80... Tudo gira em torno da incomunicabilidade.

Isso dá o que pensar...

Se o fim dos 90, e os 00 em diante, podem ser chamados de a era da conexão, os 80 são a da comunicação. Mas da comunicação como problema. Não só a que remete às relações interpessoais, mas também à mídia. Basta lembrar de sex lies & videotapes, do Steven Soderbergh, ou Family Viewing do Atom Etoyan. Todos os grandes embates psicológicos, filosóficos, existenciais passam pela tomada de consciência do efeito perverso da vida que escorre entre os monitores de TV. (Nessa época, o vídeo era a nova mídia).

Ecos de Guy Debord e seu clássico A Sociedade do Espetáculo, publicado em 1967, e que na edição atualizada em 1988, com comentários do próprio autor, dizia: "O espectáculo nada mais é que o excesso midiático". Portanto, operar a crítica do espetáculo implicaria implodir a lógica do excesso midiático.

Mas hoje, quando se pensa em cultura das redes, que é validada pela mobilidade e a interconexão de processos on e off line, parece que o excesso midiático é o a priori da existência crítica e, nesse sentido, o espetáculo, com tudo que ele implica (disponibilidade, acessibilidade etc), é a própria condição e o antídoto da alienação. Ou seja, na era da conexão não há possibilidade de vida pensante que não esteja localizada entre telas...

Em síntese, a cultura das redes depende da e pressupõe a sociedade do espetáculo.

Será?

Preciso de um café e outro cigarro.

 



Escrito por gb às 12h04
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27/12/2004

Hino Pessoal

Ganhei o CD novo da Elza Soares ("Vivo Feliz") de Natal. De um dos meus melhores amigos, o Marcus Bastos. Morram de inveja (pelo CD e muito mais pelo Marcus...).

O CD nem vou comentar. Tem a Elza Soares cantando. O resto que se pode dizer sempre será excesso.

Mas uma das faixas é de amargar de tão boa: "Volta por Cima" (do Paulo Vanzolini).

Sempre gostei dessa música, mas... Não dá, né? Era muito bolero-samba-chororô... E digo era não porque esqueci o português nesses megaferiados. Digo era porque essa versão produzida pelo Arthur Joly, com participação especial do rapper Pyroman é de enlouquecer! É o hino da minha vida...

E vc? Qual é a música que é o hino da sua vida?

Pense aí, levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima que eu já fui.

Fica aqui um sample_mini (Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro...do Fred04) 

Inspire-se e conte: qual é o hino da sua vida?



Escrito por gb às 02h48
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14/12/2004

Samplear é preciso

Um dos caras mais ativos e pensantes da internet é Kenneth Goldsmith. DJ de rádios alternativas de NYC e fundador da UbuWeb (site que disponibiliza um dos melhores acervos públicos de cultura contemporânea), está lecionando agora "Uncreative Writing" (Escrita não-criativa) para os estudantes do Depto. de Inglês da Universidade da Pensilvânia (University of Pennyslvania), nos EUA. Segundo Kenneth " a vida é bem mais interessante que a arte. Os programas de 'Reality TV' são bem mais interessantes que as novelas." Para ele, a ficção morreu, pois a realidade tomou seu lugar. Não por acaso, seu mais novo projeto é redigitar a edição inteirinha do New York Time de 11 de setembro de 2001.

O pressuposto de Kenny é que o paradigma cultural contemporâneo é a sampleagem desenfreada e que é preciso entender que a acervo de linguagem disponível é muito maior e mais rico que as velhas idéias sobre inspiração, originalidade e crenças vaidosas na "intenção do artista" e na capacidade criadora do ego.

O coletivo "Preguiça Febril", que ilustra esse post e disponibiliza em seu site um plataforma para sampleagem e reciclagem de áudio e vídeo, concorda em gênero, número e grau.

E você?

 



Escrito por gb às 18h44
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06/12/2004

extras, lies & DVDs


cena de "Cães de Aluguel"

Antes de qualquer coisa: a-d-o-r-o DVDs. Tudo: o tamanho, a cara, a qualidade..

O meu problema não é o DVD em si, mas tudo o que um DVD poderia ser e não é.

Afinal, a interface, que é justamente o que configura um divisor de águas entre o DVD e o vídeo, é um atentado contra a inteligência humana.

E os menus? Pior. Um atentado contra a cultura cinematográfica.

Não vou discutir aqui DVDs independentes -- assunto para outro post.

Vamos falar apenas de filmes bacanas que, enfim, podemos ver e rever nos nossos sofás.

Começo por um que adoro: "Cães de Aluguel" de Mr. Tarantino.

Quem foi o imbecil que desenhou a interface e o menu?

De onde tirou aquelas patinhas de cachorro que nos guiam nos submenus e as armas do menu principal? Que delícia, não? Assistir um filmaço e toda vez que quiser acessar um extra tem que ouvir um BUM!-- um tiro estrondoso-- e ver uma animação de fumacinha ridícula... Um suplício.

E o menu do "Amnésia", que tem bilhetinhos?

E o acinte do que fizeram com o "F for Fake", do maior gênio do século 20, óbvio que falo de Orson Welles, que tem fundo pré-modelado em programinha da Adobe, um coisa marmorizada/pedregulhosa, em roxo e cinza e ícones espelhados, que mata qualquer olhar minimamente educado...

E vc? Qual é o seu menu de DVD mais odiado?

Mais: Sinceramente, vc não se irrita de ter que voltar, SEMPRE, ao menu principal para mudar de assunto?

Vamos nos rebelar... Ou será que os extras só podem ser: cenas deletadas, ponto de vista do diretor, etc etc... E tudo, certamente, feito por gente nunca foi ao cinema!!!!

Ora, faça-me o favor. Conte tudo aqui... Desabafe. Fale do menu que te chocou, da interface que não desempenhou, de como vc acredita que  poderiam estar muito além dessa mixórdia de Xtras, lies & DVDs.

Ou será que estou ficando muito exigente?



Escrito por gb às 19h36
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03/12/2004

F for Fake 2.0

Símbolo da revista "Plato online", produzida por Cícero Inácio da Silva

Leia o artigo completo na revista Trópico

Cícero Inácio da Silva vem criando confusão nos meios acadêmicos com o seu projeto de doutorado “assina: do texto ao contexto”, que investiga regimes de autenticidade e autenticação, questionando nome próprio, assinatura, texto, legibilidade e reconhecimento.

A investigação é feita a partir de uma experiência na própria internet que dissemina vários sites fictícios, entre revistas “científicas” eletrônicas, institutos de pesquisa e textos aleatórios.

Nesses sites, apresenta textos gerados eletronicamente e “assinados” pelos algoritmos que foram “batizados” (e aqui não é fortuito o uso dessa palavra) com nomes de “autores” reconhecidos. “Afinal, por que não posso batizar um algoritmo de Platão?”, pergunta ironicamente Cícero.

Esses textos assinados pelos algoritmos criados para o projeto servem, assim, para questionar se o próprio “nome” não está se tornando uma “marca” sem referência nas redes. E essa hipótese é testada de maneira provocativa.

Cícero publicou os mesmos textos com e sem a assinatura de pessoas famosas em diferentes sites. Até agora os textos mais citados são os assinados por algoritmos homônimos de pessoas reconhecidas intelectualmente, como os do algoritmo “Gilles Deleuze”. Os mesmo textos assinados pelo algoritmo “João” não tiveram a mesma sorte...

Os textos, no entanto, não fazem sentido algum. São gerados computacionalmente em português e depois convertidos por tradutores eletrônicos gratuitos da internet (como o Babelfish do Altavista) para o espanhol, o que supostamente lhes dá mais credibilidade.

O projeto desencadeou protestos veementes e ameaças de processos judiciais feitas por intelectuais e editores de revistas científicas internacionais sobre o uso de seus nomes próprios no corpo dos periódicos científicos de “assina”.

Um conhecido ativista do movimento Open Source, por exemplo, contestou o fato de um arquivo ter sido salvo com seu nome, numa página on line que correspondia a algo como nomedessapessoa.htm.

E o editor de um dos mais respeitados periódicos da área de novas mídias, depois de “entender” o projeto, autorizou Cícero a usar seu nome durante “UM MÊS” (caixa-alta no e-mail enviado ao pesquisador) e nenhum segundo a mais...

E aí nós perguntamos cheios de assombro: mas é a nata da cultura digital... Será que eles não sabem que até no meu banal mundo cotidiano eu posso chamar meu peixinho, minha filha, meu namorado, meu bar, meu computador de Sartre, Walt Disney, James Joyce, Gertrude Stein...?

Será que eles ainda não se deram conta que o ano de 365 dias é gregoriano, que o dia de 24 horas é oitocentista, que não existe este prazo de validade on line?

Afinal, o que impede um web-leitor de salvar o arquivo em seu disco rígido e repassar a outros por e-mail? Como se pode bloquear o acesso de um pesquisador qualquer à versão cacheada dos sites que o Google disponibiliza, trazendo versões arquivadas, que não estão mais no próprio site consultado?

Se existe algo de assustador no cenário explosivo das novas tecnologias de produção e distribuição da cultura, esse algo certamente não reside na possibilidade de macular o direito de propriedade, nem na maneira como deixa driblar os antigos critérios que nos permitiam identificar a credibilidade e a legitimidade de um texto, imagem ou peça de áudio.

O assombro reside no negativo dessa discussão e no modo como ela retoma um dos mais desconcertantes contos de Borges, “Funes, o Memorioso”, que nos ensinava que “pensar é generalizar” e generalizar demanda capacidade interpretativa, confronto, síntese e juízo conclusivo.

É essa chamada que está implícita nos recursos de acesso à informação que pautam nossa contemporaneidade. Recusá-la é iludir-se com a possibilidade de negar o presente. Ignorá-la é mais perverso. Significa aderir ao ridículo da citação inconseqüente e ao escândalo do valor do nome como logomarca.



Escrito por gb às 11h13
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01/12/2004

Search Engine_arte ou o Cinema do futuro


frame de um onewordmovie que tinha eu mesma como tema.
Entregando o ouro: Esta, com cara de pizza feliz, e de franjinha, sou eu, na noite de autógrafos do
"livro depois do livro", no FILE 2003, no British Council, em SP, com minha Coca-Cola,
em primeiro-plano. No lado esquerdo, de casaco de oncinha, está -- como iria esquecer? --
a Chris Mello em versão pantera.

Vcs que ficaram horrorizados e vcs que adoraram o projeto 10 x 10, de RSS-arte, estão convocados a ver, comentar e pasmar com o "oneword movie", um filme sem diretor, sem ator e sem roteirista, inteiramente produzido por imagens que são consultadas no Google - Images.

Não acredita?

Então, desabilite o seu bloqueador de pop-ups e acesse:

http://www.onewordmovie.ch/



Escrito por gb às 18h31
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Originais de segunda geração

Os ilustres interlocutores deste blog fizeram comentários interessantes sobre o projeto de RSS-arte, 10 x 10, comentado dia 29/11, do qual destaco dois:

a) a angústia de pensar em um mundo em que os homens não serão necessários (Murilo)

b) a despeito das formas de produção dos textos, imagens e sons, só os homens são capazes de interpretação (Rui Werneck)

Sem tomar partido de visões apocalípticas, integradas e deslumbradas, parece-me importante evidenciar que o fim do antropocentrismo não implica o descarte do homem. Implica, sim, é a desconstrução dos paradigmas que vêm orientando nossos regimes cognitivos e perceptivos que ainda vinculam a criação ao nome de um autor, dentro de um sistema que faz com que esse nome funcione como uma logomarca capaz de dar coerência, por si, ao conjunto de uma obra.

Essa desconstrução, não se faz sem transformações profundas em aparatos jurídicos, políticos e culturais. Para que ela aponte para uma maior complexidade do imaginário coletivo e não sua atrofia, faz-se necessário que a capacidade interpretativa seja levada às últimas conseqüências.

A internet não é apenas um meio de comunicação. É um nova “máquina de ler”, que faz de cada leitor um editor potencial. Por isso, redireciona alguns paradigmas que balizaram, com sucesso, os métodos e as formas de produção dos discursos críticos.

Uma delas, inequivocamente, diz respeito à autoria, substantivo feminino ameaçado de extinção não pela facilidade de reprodução permitida pelo meio digital, o que reduziria a discussão a um problema jurídico equivalente ao problema do xerox, mas por estar fundada em uma nova tecnologia de escrita que se rebela contra sua função de inscrever.

A informática em si é tecnologia de replicação, clonagem. Ao mesmo tempo em que permite a produção de idênticos múltiplos pela cópia do código, engendra o fenômeno cultural e estético do “original de segunda geração”.

Não existe perda de qualidade nos processos de reprodução digital. O documento gerado no disco rígido de um computador (seja ele texto, imagem, áudio ou vídeo) é idêntico a sua cópia em disquete, CD, DVD e a arte produzida para a Internet leva essa afirmação ao limite extremo.

O “aqui e agora” se faz pelo fluxo. A obra efetiva-se pela linkagem, perde a precisão de seus limites. Remixando o Critical Art Ensemble, poderíamos dizer então que:

 

O plágio transforma-se em uma estratégia recombinatória. Põe em curso uma chamada, para que se abra a base de dados cultural, a fim de restaurar a deriva dinâmica do significado que o jogo ideológico do mercado oculta sob o domínio da citação autorizada. 

 

Mais, logo mais...



Escrito por gb às 11h53
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Links
UbuWeb
Preguiça Febril
Plato On Line: Nothing, Science and Technology
One Word Movie
10 x 10
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FILE
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