28/01/2005
Café e Cigarros

Iggy Pop e Tom Waits em cena de Café e Cigarros
Fui ver "Café e Cigarros" (2003) do Jim Jarmusch. É a cara dos anos 80... Tudo gira em torno da incomunicabilidade.
Isso dá o que pensar...
Se o fim dos 90, e os 00 em diante, podem ser chamados de a era da conexão, os 80 são a da comunicação. Mas da comunicação como problema. Não só a que remete às relações interpessoais, mas também à mídia. Basta lembrar de sex lies & videotapes, do Steven Soderbergh, ou Family Viewing do Atom Etoyan. Todos os grandes embates psicológicos, filosóficos, existenciais passam pela tomada de consciência do efeito perverso da vida que escorre entre os monitores de TV. (Nessa época, o vídeo era a nova mídia).
Ecos de Guy Debord e seu clássico A Sociedade do Espetáculo, publicado em 1967, e que na edição atualizada em 1988, com comentários do próprio autor, dizia: "O espectáculo nada mais é que o excesso midiático". Portanto, operar a crítica do espetáculo implicaria implodir a lógica do excesso midiático.
Mas hoje, quando se pensa em cultura das redes, que é validada pela mobilidade e a interconexão de processos on e off line, parece que o excesso midiático é o a priori da existência crítica e, nesse sentido, o espetáculo, com tudo que ele implica (disponibilidade, acessibilidade etc), é a própria condição e o antídoto da alienação. Ou seja, na era da conexão não há possibilidade de vida pensante que não esteja localizada entre telas...
Em síntese, a cultura das redes depende da e pressupõe a sociedade do espetáculo.
Será?
Preciso de um café e outro cigarro.
Escrito por gb às 12h04
[ ] [ envie esta mensagem ]