30/03/2005

as teses de lovejoy

margot lovejoy é professora da SUNY (Purchase), ex-bolsista da Fundação Guggenheim, foi uma das artistas convidadas da última bienal do whitney e do alto de seus 70 anos acabou de lançar "digital currents: art in the electronic age" (londres, routledge).

no capítulo 6, defende a idéia que a arte on line só pode ser entendida no campo da comunicação. defende vários outros pontos de vistas originais, confrontando todos com projetos realizados por artistas de procedências diversas.

aqui vão algumas das "máximas de lovejoy". concordo com várias, discordo de outras. aguardo os pontos de vista de vcs para me manifestar depois...

1) o computador esmigalhou as noções de representação visual clássicas. ele não sofre impressão da realidade, mas constrói a  visualidade a partir de dados que são informações codificadas sobre a estrutura daquilo que modela.

2) a internet é um novo espaço público dialógico

3) na internet contexto e conteúdo se implicam o tempo todo e muitas vezes o conteúdo é o próprio contexto.

3b) isso faz com que no contexto da web arte ocorrra uma inversão: é a obra que tem que ir em direção ao sujeito e não o contrário, como ocorre com as artes off line.

3c) o resultado disso é uma bomba epistemológica: o que vale é o agenciamento (ou a capacidade de agenciamento. não o conceito, nem a originalidade)

4) a internet é pós-moderna

5) browsear = mapear

6) um dos maiores problemas da internet é que tudo só pode ser acessado via monitores que chapam o conteúdo. os outros são o teclado, o mouse e as bandas.

7) as primeiras experiências com telecomunicação e arte, desde o fim dos anos 70, já apontavam uma característica da web arte: a confusão entre a noção de lugar, a noção de texto e a noção de imagem. (vide Ascott, Kit Galloway/ Sherrie Rabinowicz)

8) na internet, arte = comunicação e o artista = mediador. (vide ponto 3c)

9) a mail art não é avó da web arte, pois não permite interferência de multiusuários, nem é aberta.

10) uma coisa peculiar ao cyberspace é que nele prevalece a experiência da invisibilidade do público. por isso a fantasia passa a ser o pré-requisito da representação.

11) mas essa constatação não consegue desfazer a dúvida: será que a web arte é capaz de chamar a atenção dos internautas que transitam por milhares de sites diversificados? ou mais diretamente: por que a web arte não consegue encontrar público on line?

12) a internet, a despeito de todas as utopias e especificidades, não estaria cada dia mais parecida com a horizontalidade e homogeneidade da televisão?

 



Escrito por gb às 18h08
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